terça-feira, 10 de setembro de 2013

Vai



E se for preciso, vai.
Mas só se for preciso.
Se puderes, fica.
Mas só se puderes.
Me parte o peito
Te ver partir assim.
Mas entendo teu jeito
E se precisar, mudo o meu
Só pra te ver voltar.
Quero colo, o teu.
Nessa tua ausência me perco
E de mim eu não sei...
Parte! Mas vai de vez!
Não fica de pouco,
Nem machuca aos poucos,
Só vai.
Deixa ficar o que é bom,
Me deixa ao menos
Ficar com a saudade
De tudo o que é nosso
Que era nosso
Que já foi nosso...
E que não é mais.
Que se perdeu.
Onde eu já não sou eu.
E o que tem de meu aqui...
Se perdeu!

Belma Andrade

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O PESO DOS ERROS

As mãos já calejam de tantos murros em pontas de facas com laminas tão pontiagudas! 
Os nós dos dedos já pesam demais e esmorecem todas as vezes 
que vão a desencontro da razão. 

Ora, quebras a cara e não levantas melhor, mas pior. 
O que acontece contigo, pequena? 
Se desamarra dessas amarras. O vento já as afrouxou faz tanto tempo... 

Deves erguer a cabeça e perceber a simples realidade de que viveste até hoje,
sabendo lidar com a vida. Não precisasse que te conduzissem. 
Encontravas sempre os erros sozinha. Apanhavas com os mesmos, mas aprendias e crescias. 

Hoje em dia, entristeces em demais rápido. 

Te perguntas sempre “isso vale realmente a pena?” antes de qualquer atitude 
e lágrima derramada. 
É, mas transformas tuas palavras em realidade pra não esmurrar novamente 
e se machucar nas esquinas pontiagudas de tua vida. 

Teus erros pesam. Em demasia. Mas não se torne escrava deles. 
Deixe que o tempo seja o senhor de tudo e PARE COM ESSA MANIA 
de esperar demais. 

Não espere, só deixe que seja. Não conte com isso, só deixe estar. 
Deixe amar. 
Deixe sonhar. 
Deixe até ir embora...
...mas deixe... 

                                                                Não premedite. 


Belma Andrade

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Espelhos d’água



Eles são os espelhos d’alma
                                     Pelo reflexo perfeitamente
Penetrado no vidro-reflexo.
Mas hoje, especialmente hoje,
Eles foram espelhos d’água...

E esta deve ser uma marca
Daquilo sentido deveras...
Mas, deverei eu refletir
Sem refletir sobre, antes?

Não há como mostrar algo
Num bloco de concreto.
Não há como tornar o negro
Uma plataforma transparente...

Reflexo existe onde existe refletor...
Ou será que reflexo se faz presente
Onde existe reflexão?!

Oh, caros espelhos,
                          Tão rasamente profundos...
Espelhos d’alma, espelhos d’água,
Que especulam meu eu
Tão refletidamente inocente.

Minh’alma apenas cansou
De transbordar em correnteza
                            Minh’água refletida...

Minh’alma esgotou,
Ou se fez esgotada
                  Por um marejar de espelhos
Que incessantemente, refletem
Estes tão belos espelhos d’água...

Belma Andrade

domingo, 4 de agosto de 2013

aMAR

Foi só eu mirar o mar
E lembrar
Que esqueço de todo o resto
Quando estou contigo.

Eu estava embriagada 
Por aquela brisa,
E senti que te amar
É ver aquilo tudo a teu lado...
                                          ...com o coração sorrindo.

Quando deixei que as ondas alcançassem
Os meus pés,
E fossem embora, e outras voltassem,
Percebi que o mesmo
ocorre com a gente:

Cada reencontro 
É uma nova onda
Que nos arrebata.
                          Cada despedida
                          é uma onda que o mar
                          Pede de volta.

E é por isso, então, 
Que nunca é igual
Quando nos encontramos.


Cada vez é, pois,
uma outra vez.
Uma nova onda que vem
                                    Mas infelizmente que vai...



Belma Andrade


sexta-feira, 26 de julho de 2013

regresso.


Sabe quando você é o autor da sua própria tragédia? Você vive a autoria plena de seus erros e tentativas frustradas de acertos. Sabe quando você é o melhor conselheiro alheio e o pior pivô de suas infelicidades? Como é que pode você desperdiçar 1, 2, 3 vezes a chance de viver e estar bem? Eis um grande problema: acertar. Você tentar, tentar de novo e escorregar na mesma contramão é confuso. É uma multiplicidade absurda de vontades e sensações. Uma corda-bamba que bambeia demais os nervos... Você se prende, se solta, pende pros lados e não encontra uma solução. E o que faz? Aceita. Aceita que não é perfeito e que a vida te aguarda lá fora errando, tropeçando e aprendendo, quem sabe, que você é o narrador, protagonista, antagonista e até vilão de sua auto derrota.


Belma Andrade.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

espelhos d'alma

Hoje acordei e meus olhos queriam conversar comigo. Não sei ao certo, mas eles me pareceram mais profundos que o normal. É certo que com minhas olheiras, a profundidade em que eles se encontram é corriqueira. Mas não, não eram apenas as olheiras... Me questionei, então, se era a cor dos meus olhos que estava diferente. Sim, porque são de uma metamorfose constante! Quando estão claros, sinto que estou bem, leve, tranquila, mas quando mais escuros... É isso! Uma neblina sobre eles, talvez. Algo se condensou. E tentei então, diante do espelho pedir para que ficassem calmos. Que o reflexo estava entregando eles demais. Que deveriam manter mais a calma e não deixar transparecer tanta falta de noites dormidas e até mesmo de oceanos derramados... Deitei novamente. A cabeça fez um turbilhão e eles mais uma vez marejaram! Estes que se mostram tão fortes, porém tão frágeis quando algo bambeia. Por Deus, se acalmem! Mirem apenas belas lembranças e reflitam isso, também. Assim, poderão continuar “tranquilamente” suas descobertas e desvendar seus derredores.


Belma Andrade 

domingo, 7 de julho de 2013

...



E tem coisa que machuca como espinho.
Lembranças, pensamentos pesados,
Passados, recordações...
Estranho como a memória capta imagens
Antes vividas como retratos.
Você rasga, queima, até joga fora,
Mas quando vai revirar um armário,
Umas gavetas, umas folhas,
Elas ressurgem! 
Não pesam mais tanto como antes,
E até ganham leveza quando exprimidas.
Mas isso só olhando, porque sentindo...
Amarga a boca, mareja os olhos, 
Serra os dentes e arrepia a pele. 
Como se um vulto ganhasse forma
Mas eu deixo ir embora.
Porque sim! É só lembrança...


Belma Andrade