sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Eu não vejo, eu penso.
Ou nem penso, eu sinto.
E quando sinto, me faço;
Fazendo assim o meu eu.
Esse eu tão cheio de fases,
Fases essas de toda minha vida.
Vida, vida que vivo,
Vivendo sem muito saber.
Sei apenas o tal compreender.
Compreendo aquilo que se passa.
Passo, paro, reflito e sigo.
Sigo em frente por saber
Que sei esperar pelo amanhã...
Amanhã que vai ser o hoje,
Hoje que vai ser o ontem,
Ontem que já passou...
Passo então a ver,
Vendo mais quando penso,
Pensando mais quando sinto
E sentindo me fazendo de fases.
Fases de uma vida,
Vida de umas compreensões,
Compreensões de uns dias,
De uns tempos, de umas marcações...
Marco, passo, penso, reflito...
Canso. Mas não paro.
A vida segue, eu também,
Tudo foi e muito ainda vem...
Então, continuo sendo eu,
Esse eu que eu nem sei
Se sei saber o que sou
Sendo apenas agora como estou...


Belma Andrade

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cheiros. Cheiros fortes.
Abraços apertados.
Temperaturas elevadas.
Coração acelerado.
A pele entregando
O arrepio que segue
Por todo o corpo...
Umas outras palavras
Que correm ao redor
E só umas conseguem
Ser faladas.
Outras são tocadas,
Outras até sentidas...
O calor dos meus olhos
Que fazem umas congeladas
Chegarem a derreter...
São emoções.
Fortes, instigantes.
Emoções e sensações...
Tudo aquilo que
Sente, sente e faz
Querer cada vez mais
Sentir mais e mais...

Belma Andrade

domingo, 25 de dezembro de 2011

Quando olhar em volta e não me encontrar te olhando nos olhos, lembre que sempre vou estar te olhando no coração. Lembre-se de mim como alguém que te quer sorrindo, como alguém que te quer bem, como alguém que mesmo falando grosso e num tom de voz não muito agradável, vai ser sempre aquele alguém que só quer cuidar de quem tanto gosta, de quem tanto quer te fazer sentir a pessoa que recebe toda a minha atenção...

Belma Andrade

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


Uma das coisas mais belas
Que existe no ser humano
É a sua vontade de cuidar
De quem gosta...
Em muitas ocasiões
Chega a ser ainda mais belo;
É quando a vontade
Passa a ser necessidade...
Necessidade de ver bem
O alguém de quem se gosta.
Necessidade de cuidar,
Dar atenção, carinho,
Broncas até, se necessário...
Tudo isso pra ver
A outra pessoa bem
E nada mais.
Quando se quer cuidar
De alguém que está distante
Essa necessidade consegue
Ser ainda maior.
É aí então que entra
O “se cuida por mim...”
É apenas uma tentativa
De ver bem a pessoa
Mesmo quando estiver distante...
Um cuidar por se preocupar
E um preocupar por gostar.
Todo um cuidado e atenção
Atribuídos a alguém
Por quem se quer bem...

Belma Andrade

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Muitas vezes


Eu só quero ficar recolhida no meu canto, sozinha, sem ninguém pra perguntar nada e deixar que as minhas lágrimas caiam dos meus olhos lavando o meu rosto e levando o que têm pra levar. Sozinha, calada e com os meus soluços particulares. Sem nada dizer, nada explicar. Não vejo como egoísmo de minha parte. É apenas vontade de mim mesma.

Belma Andrade

domingo, 11 de dezembro de 2011

Água

 
Água que lava
Que escorre pelo meu corpo,
Que leva tudo aquilo
Que me atormenta...
Que me suja o pensamento,
Que me suja a alma...
Sentir suas gotas
Descendo pelo meu rosto,
É de uma sensação
Até então indescritível.
Gotas de águas externas
Misturando-se a umas internas,
Uma tal água contida
Que transborda quando encontra
Outras para fazerem
Um passeio tirando e levando
O que me atormenta a mente...
Essa água leve que lava,
Que leva e que faz
Minha água oculta
Poder sair. Sair e secar...
Molhando e levando águas
Para não mais voltar...
Ah água, me deixa.
Leva tudo de jeito leve
De jeito de água
Levando tudo pela frente...

Belma Andrade

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Confusão



Confusão de sentidos, de atitudes, de sentimentos... Confuso. Tudo se confunde, se embaralha, se mistura. Coisas ditas previamente. “Acordos”.
Não digo que o que dizia sentir cá, fosse apenas parte de um trato de atitudes e considerações. Apenas tudo se confundiu... “Apenas”.
Digo, prometo, faço tratos, logo me confundo. Logo confundo. Quanta confusão; como fazer para não causar mais tais confusões?!
Confundir o outro é apenas uma forma “especulativa” de uma maior confusão interna...
O que agora se passa aqui e o que se passa (ou vai passar aí) eu não sei mais. Só que está tudo muito... Confuso.


Belma Andrade