quinta-feira, 10 de julho de 2014

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E foi lido em algum lugar que a aflição causada pela dor, poderia ser transformada em poesia... mas a dor pesa, rasga, inflama. A poesia é tão grande e completa, que é capaz de suportar até mesmo o peso de uma saudade dilacerante? A poesia é forte o suficiente para carregar todas as lágrimas que preenchem cada palavra, vírgula e ponto desse texto? A poesia, afinal, é capaz de minimizar – um pouco que seja – o corte que se abre cada vez que os olhos são fechados e o pensamento flutua?! Bem, se o que eu chamo de poesia carrega isso tudo e ainda me carrega nas costas sem nada reclamar, digamos que ela tem em si todas as dores do mundo. E não, isto não é ruim! É bom que ela alivia um pouco as minhas costelas que já avermelham do peso sustentado, e divide com ela que tem a alma e o coração que me sentem, a cabeça que me instrui à razão, os braços que me acolhem ao mais aconchegante abraço, o estômago que embrulha toda vez que lembra e a memória que me ajuda a esquecer o que as pernas já se cansam de atrás, correr. É isso. A poesia me acolhe, e a você?!


Belma Andrade.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

finito.



E todos os numerais
Escalados ao infinito,
Voltam ao zero.
As cores, os amores,
Apagam-se.
Tudo se confunde
E se funde
Ao que eu
Não consigo mais
Tornar palpável.
Antes condensado,
Mas foi errado
Criar a “dependência”.
Por Deus,
E agora?!
Não adianta pensar
Sequer em clemência...
Tudo se vai
E isso então sai
Aqui da minha mente...
A quem, afinal,
Eu quero enganar?
Se não dá, não dá.
Por que relutar?
Chore, lave a alma.
Esvazie tudo.
Volte ao zero.
Para quem sabe, então,
Tudo se preencher

De novo...

sábado, 8 de março de 2014

Sopro poético


Hoje um soprar diferente
Pediu “licença”
E eu deixei entrar.
Não que as portas se fechassem
Algum dia,
Mas é que até o vento,
Às vezes,
Anda meio cheio de tudo
E de um nada inconstante.
Senti um sopro na mente
Quando me lembrei de minhas
Aspirações.
E as inspirações
Sopraram no meu coração
Aquela vontade de farfalhar
Todas as páginas
Dos meus antigos cadernos,
E sentir o toque também,
Das palavras em meus dedos.
Posso dizer, então,
Que senti um “sopro poético” hoje,
Pois me fez fechar os olhos,
Sentir minhas pulsões,
E ouvir turbilhões
De pensamentos e vontades
Cumprimentando-se cá dentro,
E querendo sair,
Vir à tona ao mundo,
Me enchendo de vaidade

Soprando amor de verdade...


Belma Andrade

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

km saudosos

A saudade me saúda
Quando eu digo “- oi” pra tua falta.
O tempo corre
E escorre pelos meus olhos,
Fazendo com que
Eu seja cada dia que passa
Agraciada pela graça
De ter a quem amar.
E eu sei, que por mais
Que doa a tua ausência,
A nossa essência
Não deixamos abalar.
Deixo estar este tempo
Que tempera um gosto amargo
Entre estes quilômetros
Que não param de pesar.
Vamos cortar as horas,
Desregular o relógio
E saltar as estradas...
Vamos dar um basta
Na amarga saudade
Que de nós já não sabe

O que fazer pra confortar...


Belma Andrade

sábado, 28 de dezembro de 2013

...

Perder-te é, pois,
Sem dúvidas...
                      Perder-me.
Perto de mim,
Dentro de mim,
Cabe uma coisa
Que não cabe
Em mim.

Perco das mãos,
Peco pela paixão,
Quando de ti não sei.

Assim,
De mim não hei
De estar sem ti.

É como perder o chão,
Não encontrar o ar...
Perder. Perder-te.

Perder-me... jamais.

Belma Andrade

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Voltei.



Passei a te encontrar
Até mesmo onde não sabia
Que você existia...
Comecei a enxergar
Que o que eu via
Era apenas um terço
Do que na verdade
Aqui dentro, eu sentia.
Andei correndo na contramão
E quando parei, ofegante,
Olhei pro lado
E o vento assobiou nos meus cabelos...
Percebi que o que havia
Novamente eu merecia,
E foi aí, então,
Que permaneci quieta
E deixei ser abraçada
Pelas palavras e sopros
Daquele vento que voltou

A nosso favor...


Belma Andrade

domingo, 10 de novembro de 2013

artigo indefinido

Um calendário. Um café. Um vinho. Uma mensagem. Um ônibus. Uma despedida. Uma ligação – várias ligações -. Um reencontro. Um frio na barriga. Um café. Um calendário. Um ônibus. Um sorriso. Dois sorrisos –num só -. Um desejo. Um “pra sempre”. Uma história. Um calendário. Um ônibus. Um cheiro. Uma mão. Duas – quatro delas -. Uma carta. Um arrepio. Um peito apertado. Uma saudade. Muita saudade. Um amor. Um café. Um ônibus. Um afago. Uma saudade. Um fim. Uma volta. Muitos fins – já sem volta -. Uma negação. Um amor. Uma saudade. Um choro. Muitos choros. Um fígado – partido -. Um coração – dilacerado -. Um olho – este inchado -. Uma insônia. Uma cama. Uma saudade. Um amor. Uma falta. Um pedido: Volta! Uma volta. A volta. Um amor. Uma ida. Uma saudade. Um calendário. Um ôni... bus. Uma S A U D A D E. Um amor. Uma falta. Um coração. Um aperto. Muitos apertos – num só peito -. Um amor!


Belma Andrade