sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Voltei.



Passei a te encontrar
Até mesmo onde não sabia
Que você existia...
Comecei a enxergar
Que o que eu via
Era apenas um terço
Do que na verdade
Aqui dentro, eu sentia.
Andei correndo na contramão
E quando parei, ofegante,
Olhei pro lado
E o vento assobiou nos meus cabelos...
Percebi que o que havia
Novamente eu merecia,
E foi aí, então,
Que permaneci quieta
E deixei ser abraçada
Pelas palavras e sopros
Daquele vento que voltou

A nosso favor...


Belma Andrade

domingo, 10 de novembro de 2013

artigo indefinido

Um calendário. Um café. Um vinho. Uma mensagem. Um ônibus. Uma despedida. Uma ligação – várias ligações -. Um reencontro. Um frio na barriga. Um café. Um calendário. Um ônibus. Um sorriso. Dois sorrisos –num só -. Um desejo. Um “pra sempre”. Uma história. Um calendário. Um ônibus. Um cheiro. Uma mão. Duas – quatro delas -. Uma carta. Um arrepio. Um peito apertado. Uma saudade. Muita saudade. Um amor. Um café. Um ônibus. Um afago. Uma saudade. Um fim. Uma volta. Muitos fins – já sem volta -. Uma negação. Um amor. Uma saudade. Um choro. Muitos choros. Um fígado – partido -. Um coração – dilacerado -. Um olho – este inchado -. Uma insônia. Uma cama. Uma saudade. Um amor. Uma falta. Um pedido: Volta! Uma volta. A volta. Um amor. Uma ida. Uma saudade. Um calendário. Um ôni... bus. Uma S A U D A D E. Um amor. Uma falta. Um coração. Um aperto. Muitos apertos – num só peito -. Um amor!


Belma Andrade

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Re(verso)


Um dia, eu sei,
Essas lágrimas irão secar.
Uma hora, bem sei,
Eu não vou mais
Só em ti pensar.
Tudo aqui, sabemos,
Funciona ao revés.
Porque por mais
Que eu prometa
Que não vou ficar mal,
É porque assim já estou.
E por mais, também,
Que eu diga
Que não quero mais,
É porque nunca quis tanto.
E quando finjo
Que nada sinto,
É porque sinto muito
Por ainda sentir...
E, amor meu, se bravejo
Estar tudo bem,
É porque não me vejo
Sem ti, ficando bem.
Mas eu sei
Que como tudo é o reverso,
Um dia, em cada verso meu,
Não terá mais uma lágrima.
Versificarei, então, uma calma
Que brotará na alma
E tudo sentido

Se reversará.


Belma Andrade

terça-feira, 1 de outubro de 2013

...

E é como se a gente
Soubesse quase perfeitamente
Que o que temos
Não nos cabe mais dentro.

O peito estufou,
A garganta explodiu,
Num grito velado.

O que antes carregávamos
Dentro de nós,
Agora nos carrega
Pelas mãos.

Tudo o que temos,
Então,
Cabe dentro do mar.

Aquele mesmo,
De profundeza infinita
E que carrega
As dores do mundo.

Não cabe em palavras,
Nem mais no peito.

Mas isso não quer dizer
Que não tenha mais jeito.

É que tudo cresceu demais
E como não conseguimos
Guardar dentro d’alma,
Deixamos que partisse.

Pr’onde não deveria
Sequer ter saído:
De dentro do mar.
Num indo e vindo
Grandioso...
...e eterno!





Belma Andrade

terça-feira, 17 de setembro de 2013

.

Quer saber?
Se era pra sentir
De forma tão dilacerante
A tua falta,
Preferia não sentir,
Nem nunca ter sentido
A tua presença.
Tudo pesa demais
Quando tu te vais.
É doloroso, faz frio,
Inebria a garganta
E fere.
Fere uma ferida
Sangrenta, escarlate.
As borboletas
De meu estomago,
São grandes mariposas.
E possuem garras.
Afiadas.
Quando chegam, sopram
Com suas asas,
E reviram tudo por dentro.
Mas com o tempo,
Ah... com o tempo!
Elas afiam suas garras
E tua falta cá dentro
Dói. Pesa.

Faz tanto frio...
Volta!



Belma Andrade 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Vai



E se for preciso, vai.
Mas só se for preciso.
Se puderes, fica.
Mas só se puderes.
Me parte o peito
Te ver partir assim.
Mas entendo teu jeito
E se precisar, mudo o meu
Só pra te ver voltar.
Quero colo, o teu.
Nessa tua ausência me perco
E de mim eu não sei...
Parte! Mas vai de vez!
Não fica de pouco,
Nem machuca aos poucos,
Só vai.
Deixa ficar o que é bom,
Me deixa ao menos
Ficar com a saudade
De tudo o que é nosso
Que era nosso
Que já foi nosso...
E que não é mais.
Que se perdeu.
Onde eu já não sou eu.
E o que tem de meu aqui...
Se perdeu!

Belma Andrade

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O PESO DOS ERROS

As mãos já calejam de tantos murros em pontas de facas com laminas tão pontiagudas! 
Os nós dos dedos já pesam demais e esmorecem todas as vezes 
que vão a desencontro da razão. 

Ora, quebras a cara e não levantas melhor, mas pior. 
O que acontece contigo, pequena? 
Se desamarra dessas amarras. O vento já as afrouxou faz tanto tempo... 

Deves erguer a cabeça e perceber a simples realidade de que viveste até hoje,
sabendo lidar com a vida. Não precisasse que te conduzissem. 
Encontravas sempre os erros sozinha. Apanhavas com os mesmos, mas aprendias e crescias. 

Hoje em dia, entristeces em demais rápido. 

Te perguntas sempre “isso vale realmente a pena?” antes de qualquer atitude 
e lágrima derramada. 
É, mas transformas tuas palavras em realidade pra não esmurrar novamente 
e se machucar nas esquinas pontiagudas de tua vida. 

Teus erros pesam. Em demasia. Mas não se torne escrava deles. 
Deixe que o tempo seja o senhor de tudo e PARE COM ESSA MANIA 
de esperar demais. 

Não espere, só deixe que seja. Não conte com isso, só deixe estar. 
Deixe amar. 
Deixe sonhar. 
Deixe até ir embora...
...mas deixe... 

                                                                Não premedite. 


Belma Andrade