domingo, 4 de agosto de 2013

aMAR

Foi só eu mirar o mar
E lembrar
Que esqueço de todo o resto
Quando estou contigo.

Eu estava embriagada 
Por aquela brisa,
E senti que te amar
É ver aquilo tudo a teu lado...
                                          ...com o coração sorrindo.

Quando deixei que as ondas alcançassem
Os meus pés,
E fossem embora, e outras voltassem,
Percebi que o mesmo
ocorre com a gente:

Cada reencontro 
É uma nova onda
Que nos arrebata.
                          Cada despedida
                          é uma onda que o mar
                          Pede de volta.

E é por isso, então, 
Que nunca é igual
Quando nos encontramos.


Cada vez é, pois,
uma outra vez.
Uma nova onda que vem
                                    Mas infelizmente que vai...



Belma Andrade


sexta-feira, 26 de julho de 2013

regresso.


Sabe quando você é o autor da sua própria tragédia? Você vive a autoria plena de seus erros e tentativas frustradas de acertos. Sabe quando você é o melhor conselheiro alheio e o pior pivô de suas infelicidades? Como é que pode você desperdiçar 1, 2, 3 vezes a chance de viver e estar bem? Eis um grande problema: acertar. Você tentar, tentar de novo e escorregar na mesma contramão é confuso. É uma multiplicidade absurda de vontades e sensações. Uma corda-bamba que bambeia demais os nervos... Você se prende, se solta, pende pros lados e não encontra uma solução. E o que faz? Aceita. Aceita que não é perfeito e que a vida te aguarda lá fora errando, tropeçando e aprendendo, quem sabe, que você é o narrador, protagonista, antagonista e até vilão de sua auto derrota.


Belma Andrade.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

espelhos d'alma

Hoje acordei e meus olhos queriam conversar comigo. Não sei ao certo, mas eles me pareceram mais profundos que o normal. É certo que com minhas olheiras, a profundidade em que eles se encontram é corriqueira. Mas não, não eram apenas as olheiras... Me questionei, então, se era a cor dos meus olhos que estava diferente. Sim, porque são de uma metamorfose constante! Quando estão claros, sinto que estou bem, leve, tranquila, mas quando mais escuros... É isso! Uma neblina sobre eles, talvez. Algo se condensou. E tentei então, diante do espelho pedir para que ficassem calmos. Que o reflexo estava entregando eles demais. Que deveriam manter mais a calma e não deixar transparecer tanta falta de noites dormidas e até mesmo de oceanos derramados... Deitei novamente. A cabeça fez um turbilhão e eles mais uma vez marejaram! Estes que se mostram tão fortes, porém tão frágeis quando algo bambeia. Por Deus, se acalmem! Mirem apenas belas lembranças e reflitam isso, também. Assim, poderão continuar “tranquilamente” suas descobertas e desvendar seus derredores.


Belma Andrade 

domingo, 7 de julho de 2013

...



E tem coisa que machuca como espinho.
Lembranças, pensamentos pesados,
Passados, recordações...
Estranho como a memória capta imagens
Antes vividas como retratos.
Você rasga, queima, até joga fora,
Mas quando vai revirar um armário,
Umas gavetas, umas folhas,
Elas ressurgem! 
Não pesam mais tanto como antes,
E até ganham leveza quando exprimidas.
Mas isso só olhando, porque sentindo...
Amarga a boca, mareja os olhos, 
Serra os dentes e arrepia a pele. 
Como se um vulto ganhasse forma
Mas eu deixo ir embora.
Porque sim! É só lembrança...


Belma Andrade

terça-feira, 2 de julho de 2013

Saudade



Como é que pode dentro de sete letras
caberem tantos significados?
É; definições, frases,
pensamentos de diversas autorias
que se remetem a um mesmo sentir.
Ou seriam várias formas de sentir?
Como tantos sentimentos cabem e se resumem
numa única palavra?
Ou será que não se resumem?

Confuso.
Será que determinamos uma palavra
pra tentar facilitar
uma explosão de sensações
que não conseguimos explicar?
Não conseguimos nem mesmo
ter certeza do que sentimos, que dirá explicar.

Difuso.
A experiência da falta, do pesar, da não completude...
Incômodo.
Um misto de perturbações!
E quando me perguntarem
o que estou sentindo,
 deverei eu ser tão diminuta e suprimir tudo
numa única definição?
Não, não sou de definir, sou de sentir.

E sinto muito, aliás, por ser tão saudosa... 
Belma Andrade

domingo, 21 de abril de 2013


É lindo e me encanta
Te ter nos meus pensamentos...
Me conforta, acalma
Quando recebo teus acalentos;
E se tudo se tumultua,
É em ti que me aconchego.
Ah, amor meu,
Bem querer, e estar...
Vamos matar a distância,
Dar um basta na saudade!
Vem, pega minha mão,
Volta a ser tudo aqui.
Vem logo pra mim!
Quero passar
A ter de volta
Tudo teu que é tão meu...
Sim, sou mais frágil
Do que pensei ser.
Não sei, não consigo mais
Olhar pras minhas mãos
E não enxergar mais
As tuas junto às minhas.
Tempo grande, amor
De dedicação à gente.
Meu coração te sente
E não mente quando palpita
Toda vez que te reencontra,
E me conta que sempre soube
Que tudo aqui é teu
E que vale a pena
Te esperar, querer tu voltar,
E te entregar
Todo o meu amor
Que agora e sempre é teu!


Belma Andrade

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


Desde que te conheci, barcos têm um significado muito grande pra mim. Tu és meu porto, sabe? Onde eu joguei minha ancora, de um peso em demasiado pesado. Tenho amarras bem firmes aqui que nunca vou permitir soltar; nem mesmo quando passarmos por aquelas tempestades que parecem nunca ter fim. Os ventos as vezes fazem minhas velas balançarem muito, mas estas, sempre voltam ao lugar que elas bem sabem ser delas. Toda a imensidão do mar que rodeia a gente, sinto que chega a nos assustar, e, quando o mar está agitado, nos desnorteamos num piscar de olhos! Não há bussola, capitão-coração que dê jeito. Amedrontamo-nos, mas logo menos, acompanhamos o ritmo das ondas de novo, como se acompanhássemos o ritmo da dança do nosso mar; sempre. Dançamos até conforme o vento, mas sem sairmos do lugar. Meu barco, frágil e fraco –como chegou ao teu porto- era solitário e andava meio sem rumo. Era desengonçado-não que ainda não o seja-, mas não queria tomar um Norte certo. Quando ele conheceu teu porto, foi uma euforia só! Não sabia muito bem ter o controle das próprias velas e como lançar ancora; mas teu porto foi sempre tão paciente, calmo, e me esperou de pouquinho, até que me viu de vez nele, sem querer mais sair. Teu porto era desconhecido, e cheio de obstáculos, não nego, mas meu barco queria te desvendar e não se deixou amedrontar! Hoje em dia meu barco tem certeza que lançou ancora no porto certo. Num porto que tem ventos fortes e ameaçadores, mas que ajuda meu barco a driblar tudo e até mesmo o medo. Teu porto hoje me é seguro. Meu barco tem certeza que o peso da ancora dele triplicou e ele não tem mais forças para tirá-la de volta. Meu barco não quer e nem consegue mais sair do teu porto. É engraçado até, e mesmo tendo chegado de mansinho, carregado pelo amigo vento e se instalado, ainda me pediu pra te escrever essa cartinha perguntando: “Teu porto aceita meu barquinho pra sempre?”

Belma Andrade