sábado, 8 de março de 2014

Sopro poético


Hoje um soprar diferente
Pediu “licença”
E eu deixei entrar.
Não que as portas se fechassem
Algum dia,
Mas é que até o vento,
Às vezes,
Anda meio cheio de tudo
E de um nada inconstante.
Senti um sopro na mente
Quando me lembrei de minhas
Aspirações.
E as inspirações
Sopraram no meu coração
Aquela vontade de farfalhar
Todas as páginas
Dos meus antigos cadernos,
E sentir o toque também,
Das palavras em meus dedos.
Posso dizer, então,
Que senti um “sopro poético” hoje,
Pois me fez fechar os olhos,
Sentir minhas pulsões,
E ouvir turbilhões
De pensamentos e vontades
Cumprimentando-se cá dentro,
E querendo sair,
Vir à tona ao mundo,
Me enchendo de vaidade

Soprando amor de verdade...


Belma Andrade

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

km saudosos

A saudade me saúda
Quando eu digo “- oi” pra tua falta.
O tempo corre
E escorre pelos meus olhos,
Fazendo com que
Eu seja cada dia que passa
Agraciada pela graça
De ter a quem amar.
E eu sei, que por mais
Que doa a tua ausência,
A nossa essência
Não deixamos abalar.
Deixo estar este tempo
Que tempera um gosto amargo
Entre estes quilômetros
Que não param de pesar.
Vamos cortar as horas,
Desregular o relógio
E saltar as estradas...
Vamos dar um basta
Na amarga saudade
Que de nós já não sabe

O que fazer pra confortar...


Belma Andrade

sábado, 28 de dezembro de 2013

...

Perder-te é, pois,
Sem dúvidas...
                      Perder-me.
Perto de mim,
Dentro de mim,
Cabe uma coisa
Que não cabe
Em mim.

Perco das mãos,
Peco pela paixão,
Quando de ti não sei.

Assim,
De mim não hei
De estar sem ti.

É como perder o chão,
Não encontrar o ar...
Perder. Perder-te.

Perder-me... jamais.

Belma Andrade

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Voltei.



Passei a te encontrar
Até mesmo onde não sabia
Que você existia...
Comecei a enxergar
Que o que eu via
Era apenas um terço
Do que na verdade
Aqui dentro, eu sentia.
Andei correndo na contramão
E quando parei, ofegante,
Olhei pro lado
E o vento assobiou nos meus cabelos...
Percebi que o que havia
Novamente eu merecia,
E foi aí, então,
Que permaneci quieta
E deixei ser abraçada
Pelas palavras e sopros
Daquele vento que voltou

A nosso favor...


Belma Andrade

domingo, 10 de novembro de 2013

artigo indefinido

Um calendário. Um café. Um vinho. Uma mensagem. Um ônibus. Uma despedida. Uma ligação – várias ligações -. Um reencontro. Um frio na barriga. Um café. Um calendário. Um ônibus. Um sorriso. Dois sorrisos –num só -. Um desejo. Um “pra sempre”. Uma história. Um calendário. Um ônibus. Um cheiro. Uma mão. Duas – quatro delas -. Uma carta. Um arrepio. Um peito apertado. Uma saudade. Muita saudade. Um amor. Um café. Um ônibus. Um afago. Uma saudade. Um fim. Uma volta. Muitos fins – já sem volta -. Uma negação. Um amor. Uma saudade. Um choro. Muitos choros. Um fígado – partido -. Um coração – dilacerado -. Um olho – este inchado -. Uma insônia. Uma cama. Uma saudade. Um amor. Uma falta. Um pedido: Volta! Uma volta. A volta. Um amor. Uma ida. Uma saudade. Um calendário. Um ôni... bus. Uma S A U D A D E. Um amor. Uma falta. Um coração. Um aperto. Muitos apertos – num só peito -. Um amor!


Belma Andrade

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Re(verso)


Um dia, eu sei,
Essas lágrimas irão secar.
Uma hora, bem sei,
Eu não vou mais
Só em ti pensar.
Tudo aqui, sabemos,
Funciona ao revés.
Porque por mais
Que eu prometa
Que não vou ficar mal,
É porque assim já estou.
E por mais, também,
Que eu diga
Que não quero mais,
É porque nunca quis tanto.
E quando finjo
Que nada sinto,
É porque sinto muito
Por ainda sentir...
E, amor meu, se bravejo
Estar tudo bem,
É porque não me vejo
Sem ti, ficando bem.
Mas eu sei
Que como tudo é o reverso,
Um dia, em cada verso meu,
Não terá mais uma lágrima.
Versificarei, então, uma calma
Que brotará na alma
E tudo sentido

Se reversará.


Belma Andrade

terça-feira, 1 de outubro de 2013

...

E é como se a gente
Soubesse quase perfeitamente
Que o que temos
Não nos cabe mais dentro.

O peito estufou,
A garganta explodiu,
Num grito velado.

O que antes carregávamos
Dentro de nós,
Agora nos carrega
Pelas mãos.

Tudo o que temos,
Então,
Cabe dentro do mar.

Aquele mesmo,
De profundeza infinita
E que carrega
As dores do mundo.

Não cabe em palavras,
Nem mais no peito.

Mas isso não quer dizer
Que não tenha mais jeito.

É que tudo cresceu demais
E como não conseguimos
Guardar dentro d’alma,
Deixamos que partisse.

Pr’onde não deveria
Sequer ter saído:
De dentro do mar.
Num indo e vindo
Grandioso...
...e eterno!





Belma Andrade