sábado, 2 de junho de 2012



Parei e sentei junto à estrada,
Fiquei observando os galhos
Das árvores dançando juntos
No ritmo do vento e levando
Algumas folhas para passear...
Levei as mãos até meu rosto
E o senti cheio de pó...
Pó de areia, poeira, trazida
Lá de longe, lá de onde?
Lá de onde eu não sei,
Lá de onde eu quero descobrir...
Fico cá sentada no canto
Apenas observando ao meu cercar
E penso o quão infinito é
O mundo e tudo o que eu
Ainda tenho por descobrir...
Tudo o que, ainda posso sentir...
Quero decifrar recantos e cantos
Dos pássaros que me passam
E ver o vento num ventilado
Que me traz logo ao lado
A sensação que posso viajar
Junto à estrada de terra
Que traz pedras e folhas
De onde eu nem imagino que vejo.
Paro, sento, observo, sinto, viajo...
Descubro. Como um punhado de chão
Nas palmas de minhas mãos
Tateando cada grão de terra
Que me traz ar, que me faz pisar...

Belma Andrade

quarta-feira, 23 de maio de 2012



Rasguei as folhas
Onde escrevia
Com tinta vermelha
E força na mão
As palavras
Que me controlavam...
Abri as janelas
Para deixar entrar
E soprar meus cabelos
O vento solto
De algo menos
Auto-controlado...
Passei então
A viver tudo...
Tudo mesmo
Que a vontade
Invadisse-me...
Fui deixando
Mostrar-me eu
E permitindo
As vontades serem
Mais do que
Apenas vontades...
Passei a ver
Que não apenas via,
Mas que também sentia.

Belma Andrade

sexta-feira, 11 de maio de 2012



Eu poderia fazer
Uma abertura
De meu corpo
E descobrir até
A última víscera
Pulsante
Com a explosão
De sangue corrente
Dentro de mim...
Poderia enxergar
De perto tudo
O que me corre
E que me escorre
Por dentro...
Mas, eu queria
Ir mais além!
Sim, mais.
Fazer uma abertura
De minha alma.
Descobrir não só
O meu sangue quente,
Mas por que
Ele esquenta...
Sentir não só
Minhas pulsações,
Mas também
O porquê
Do meu pulsar...
Ouvir não só
O meu coração,
Mas sentir um eco
Ensurdecedor
De suas batidas
Sentidas pelo por que...
Cansei do óbvio,
Do palpável,
Quero mais também
O inimaginável,
O sentido, a fuga,
A plenitude...
A abertura completa
De uma alma...
...livre.

Belma Andrade

sexta-feira, 4 de maio de 2012


Romance que é romance
Daqueles verdadeiros,
Que arrancam desejos
E suscitam suspiros,
Jamais deve ser adormecido,
Levado no tempo,
Deixado ser esquecido...
Romance que é romance
Daqueles verdadeiros
Deixa marcas fincadas
Lá dentro na alma
E por mais que acabe
-porque sim, eles acabam!-
Sempre será recordado
Com aquelas palpitações
Lá, no coração...
Romance que é romance
Daqueles verdadeiros
Será sempre por si só
Algo inesquecível
Que nunca deixará
De ser nele mesmo
Aquele que abobalha,
Que faz quem está
Por ele perseguido
Ser um romancista
Jamais guarnecido
Por não conseguir
Nunca estar munido
Contra um outro novo
Romance que é romance
Daqueles verdadeiros...

Belma Andrade

sábado, 21 de abril de 2012



                            Esse ego tão translúcido e enegrecido ao mesmo passar de tempo me corroe e rompe todas as algemas de previsibilidades que pudessem existir. Não sou eu. Aliás, não sou um único eu. Sou vários. Sou infinitos. Muitos ainda nem sei que sou. Só sei que muitos sou e sou de uma inconstância totalmente desnorteadora. Por pensar demais. Por nem pensar. Por não ser. Por ser demais... Enfim. De pólos extremamente opostos que se completam, que se ignoram, que se que se negam e até renegam... Muitas vezes em minha instabilidade, me pego pensando em como eu consigo conciliar toda confusão em meio a tanto caos pessoal... E encontro respostas diversas, claro. A que mais se sobressai é a que diz que é aí que está o segredo de tudo. A fuga de padrões, de previsões. Padrões são expectativas e atingi-los são objetivos. Fugir disso é se livrar de cordas frustradas que nos prendem a decepção. Por isso me faço assim e aprendi a me aceitar assim... Na inconstância, na mudança, nos vários eu’s...  

Belma Andrade

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Um gole de café



Sinta. Aquele líquido escuro
E quente que te desce.
Engole. Aquela golada
Doce que te penetra
E te descobre nobre
Por dentro...
Degusta. Fecha os olhos
E te deixa saborear

Até a última gota quente
De café bocado
Que te fiz pra sentir.

O calor solúvel evaporando-te.
Se doce, deixa escorrer-te
Por dentro. Se amargo...
Deixa que sozinho se esvaia.


Belma Andrade

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O que é que vive nos cercando? O Tempo. Ele que rasteja. Ele que escorre pelos dedos de nossas mãos. Ele que atrapalha. Ele que ajuda. Ele que marca a passagem de acontecimentos... Ele que é contado, através de sorrisos. Ele que é marcado através dos nossos olhos que contam Ele passar, desejando não passar quando juntos estão... Tempo. O Senhor dos fatos, dos abraços, das palavras, dos acontecimentos. Enquanto Ele se passa em determinados tempos, traz Consigo lembranças, encontros e desejos de reencontros... Ele proporciona tantas alegrias, tantas emoções, e até mesmo apertos no coração, por desejar que Ele passasse um pouco mais depressa para levar Consigo qualquer mágoa momentânea que também vem com Ele... O tempo.


Belma Andrade